Como escrever prompts que funcionam de verdade
A maioria das pessoas que diz que IA “não funciona” escreveu um prompt ruim. Não é culpa do modelo, é estrutura.
Um bom prompt tem cinco componentes. Você não precisa de todos os cinco em todas as situações, mas saber o que cada um faz muda o resultado.
Os cinco componentes de um prompt que funciona
1. Papel (quem o Claude é nesse contexto)
“Você é um advogado especialista em contratos imobiliários.”
Isso não é decoração. Define o vocabulário, o nível técnico e o ponto de vista que o Claude vai adotar.
2. Contexto (o que você está tentando resolver)
“Tenho um cliente que quer renegociar o prazo de entrega de um imóvel na planta. O contrato original tem cláusula de multa de 2% ao mês.”
Sem contexto, o Claude responde de forma genérica. Com contexto, responde para o seu problema específico.
3. Tarefa (o que você quer que ele faça)
“Liste os argumentos mais fortes para negociar a redução ou isenção dessa multa.”
Seja específico. “Me ajude com isso” é diferente de “liste os argumentos” ou “escreva um email” ou “faça um comparativo”.
4. Formato (como você quer a resposta)
“Responda em forma de lista numerada. Máximo 5 argumentos. Linguagem formal.”
Sem formato definido, o Claude decide por você, às vezes certo, às vezes não.
5. Restrições (o que você não quer)
“Não mencione aspectos jurídicos fora do direito civil brasileiro. Não use linguagem técnica que o cliente não entenderia.”
Restrições eliminam resultados inúteis antes de aparecerem.
O prompt fraco e o prompt forte
Fraco:
“Me ajuda a escrever um email para meu cliente sobre o atraso na obra.”
Forte:
“Você é um corretor de imóveis com 10 anos de experiência. Escreva um email para um cliente comunicando atraso de 30 dias na entrega de um apartamento. Tom: empático, direto, sem exagerar nas desculpas. Máximo 150 palavras. Termine com uma proposta concreta de próximo contato.”
O segundo prompt não é mais complicado, é mais específico. E especificidade é o que separa uma resposta genérica de uma que você consegue usar diretamente.
Os erros mais comuns
Pedir duas coisas ao mesmo tempo sem separar
“Analise esse contrato e me diga se tem problema e também escreva uma resposta para o vendedor.”
São duas tarefas diferentes. Faça em duas conversas ou separe explicitamente: primeiro a análise, depois o email com base nos resultados.
Esperar que o Claude adivinhe o contexto
Se você não conta para o Claude que está negociando com uma construtora grande, que o cliente é exigente e que o prazo é amanhã, ele não vai saber. O modelo responde com o que você dá.
Aceitar a primeira resposta como final
A primeira resposta é um rascunho. Diga o que está bom e o que precisa mudar: “mais direto na terceira frase”, “retire o parágrafo de contexto histórico”, “adicione um exemplo concreto”. O Claude ajusta, e fica melhor.
Prompt templates que funcionam no dia a dia
Para análise de documento:
“Você é [especialista em X]. Analise o documento abaixo e: (1) identifique os pontos mais importantes, (2) sinalize o que merece atenção, (3) sugira o próximo passo. Formato: lista por tópico. [documento]”
Para redigir texto:
“Escreva [tipo de texto] sobre [assunto] para [audiência]. Tom: [formal/informal/técnico]. Máximo [N] palavras. Não use [restrição].”
Para extrair informação:
“Do texto abaixo, extraia: nome, data, valor, condições principais. Formato: tabela. Se algum campo não estiver no texto, escreva ‘não encontrado’.”
Por onde começar
Se você nunca estruturou um prompt antes: pegue a próxima tarefa que for fazer e adicione apenas o papel e o formato. Só isso já muda a qualidade da resposta. Quando isso virar hábito, adicione contexto e restrições.
Se quiser se aprofundar em técnicas mais avançadas, prompt engineering tem um nível além do básico, com few-shot, chain-of-thought e self-consistency.
Para implementar IA no processo do seu negócio com prompts que realmente funcionam: veja como posso ajudar.

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